Chamado Metaprotocooperativo Digitofágico

Uma chama não perde nada ao acender outra chama”
(Provérbio Africano)

Chamado Metaprotocooperativo Digitofágico

A propriedade é um roubo disse Proudhon em 1840.O que isso pode significar em nosso tempo? Tempo da tão anunciada, nos meios acadêmicos e tecnoartísticos, revolução silenciosa, da quebra de paradigmas, do capitalismo cognitivo, da Era do Conhecimento. Essa Era que nos nichos elitistas da WEB se concretiza por meios de bits, pelos blogs, twitters e redes sociais como certeza, verdade absoluta, uma verdade que se impõe sobre outras e que sepulta as outras Eras (mais "atrasadas" ), outras formas de pensar, de organização social, de se conectar ( inclusive espiritualmente), de interações e relações, em suma de troca. O discurso da Cultura Colaborativa e das relações horizontais espalhado por toda a rede, que, sem dúvida, nos mostra casos de verdadeiro sucesso como Wikipedia, Debian, blogs colaborativos etc, também nos impõe essencialmente à pensar na questão de o quanto colaborativo é o mundo. A rede e os conteúdos que transitam nela como reflexo do mundo e das relações sociais que vivemos podem realmente ser colaborativos e horizontais!? Nossa resposta é que não, enquanto não se mudar a mentalidade e as posturas dos indivíduos com seus pares, ou seja, dos seres humanos para outros seres humanos assim como para toda a natureza, enquanto não se mudar as relações de poder do dia-a-dia, a rede nunca será colaborativa e horizontal. Afinal, pensar que o sistema técnico, ou as possibilidades tecnológicas que permitem o acesso e a "inserção na sociedade do conhecimento" podem resolver problemas tão antigos e enraizados no cerne das sociedades capitalistas, como a exclusão e a opressão sistemática de grupos sociais do/no meio político e cultural, soa um tanto quanto estranho nos ouvidos mais atentos. Pois manda na rede quem tem mais banda, quem tem mais "qualidade" nas informações postadas, quem tem mais prestígio social e político, ou , simplesmente, quem tem mais dinheiro para investir em conteúdo/designer e publicidade. A propriedade já era considerada um roubo por Proudhon em 1840 e essa afirmação se torna mais verdadeira ainda hoje em dia, basta analisarmos casos como o lastfm, google etc que nos mostram a verdadeira face desse novo capitalismo que opera na rede, que se apropria das maneiras mais diversas e disfarçadas da cultura, trabalho e sonhos alheios com o único e exclusivo propósito de lucrar. Não se trata de demonizar o mercado mas sim de ter consciência de suas próprias limitações ontológicas.
O inferno está cheio de pessoas com boas intenções; De graça até injeção na testa; são ditados que na sociedade em rede tem um significado diferente da época de nossas mães e avós.
Ser Livre e Colaborativo é mais que um discurso ou uma prática é uma

CULTURA

e por conta disso faz-se necessário cultivar a cada momento, exercitar a cada momento a dádiva/escolha de ser livre e colaborativo. Diante de tantos projetos que visam universalizar o acesso a rede ou a conteúdos culturais faz-se ainda mais necessário aprender a respeitar as culturas "marginalizadas" ou oprimidas, realizar um intenso diálogo de saberes, ter humildade quando olhar para as culturas ancestrais e mais humildade ainda para admitir que se tem muito o que aprender, ou melhor seria dizer resgatar?
Acreditar que para uma Cultura Colaborativa Universal é necessário mais que possibilitar o acesso à Sociedade do Conhecimento e Consumo ou aos processos operantes na rede, é necessário mais que reproduzir a falácia de que todos são iguais sob a tutela do mercado ou de governos assistencialistas e autoritários, é necessário subverter a rede, buscar e provocar a autonomia dos indivíduos, mudar a lógica, acabar com a lógica, criar uma lógica, criar ou reinventar novas expressões, equações e algoritmos, novos ritmos, novas formas, algo novo, instaurar o caos criativo, a ordem criativa, mudar as relações de poder que operam pela e na rede, realizar uma verdadeira reforma interior, formar e ser formado, exercer e garantir o direito de ser digitofágico e metaprotocooperativo. Considerando que não existem certezas mas experiências e possibilidades,

não se trata de incluir mas sim de misturar.

De Algum Lugar e em Algum Tempo

Tribo MESH e Pajé Resistor.


 

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